Sejam Muito Bem Vindos ao Mundo Desconhecido da Intectualidade

"A História é vital para a formação da cidadania porque nos mostra que para compreender o que está acontecendo no presente é preciso entender quais foram os caminhos percorridos pela sociedade." (Boris Fausto)
"A História é a geograficidade do tempo e a Geografia é a históricidade do espaço" (Yves Lacoste)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Os Primeiros crônistas da América Portuguesa

Para começar, inicío abrindo as portas do conhecimento acerca do Brasil/Brazil Colonial, com o "Tratado Descritivo do Brasil em 1581", o qual é uma obra escrita por Gabriel Soares de Sousa, datada de 1587, que constituiu um dos primeiros e mais extraordinários relatos sobre o Brasil colonial. Contém importantes dados geográficos, (para nós agora) históricos, antropológicos, etnográficos e linguísticos.
Mas, quem foi este autor? - Gabriel Soares de Sousa nasceu em Portugal, na década de 1540. Foi agricultor e empresário. Veio para o Brasil entre os anos de 1565 e 1569. Na Bahia, estabeleceu-se como colono agrícola; e veio a falecer no final de 1591, perto das cabeceiras do rio Paraguaçu.
 Para melhor entender o contexto, a estrutura e a conjuntura social, tanto indigena/nativo quanto européia portuguesa, este trecho (abaixo) da obra de Gabriel de Souza é perfeito; pois é passível da melhor construção do entendimento da atual sociedade pela sociedade Tupi dàquela época.
Então, faça um favor ao seu cérebro e ao seu intelecto e leia o texto abaixo.

"São os tupinambás tão luxuriosos que não há pecado de luxúria que
não cometam; os quais sendo de muito pouca idade têm conta com
mulheres, e bem mulheres; porque as velhas, já desestimadas dos que
são homens, granjeiam estes meninos, fazendo-lhes mimos e regalos, e
ensinam-lhes a fazer o que eles não sabem, e não os deixam de dia, nem
de noite. É este gentio tão luxurioso que poucas vezes têm respeito às
irmãs e tias, e porque este pecado é contra seus costumes, dormem com
elas pelos matos, e alguns com suas próprias filhas; e não se contentam
com uma mulher, mas têm muitas, como já fica dito pelo que morrem
muitos de esfalfados. E em conversação não sabem falar senão nestas
sujidades, que cometem cada hora; os quais são tão amigos da carne que
se não contentam, para seguirem seus apetites, com o membro genital
como a natureza formou; mas há muitos que lhe costumam pôr o pêlo de
um bicho tão peçonhento, que lho faz logo inchar, com o que têm
grandes dores, mais de seis meses, que se lhe vão gastando espaço de
tempo; com o que se lhes faz o seu cano tão disforme de grosso, que os
não podem as mulheres esperar, nem sofrer; e não contentes estes
selvagens de andarem tão encarniçados neste pecado, naturalmente
cometido, são muito afeiçoados ao pecado nefando, entre os quais se não
têm por afronta; e o que se serve de macho, se tem por valente, e contam
esta bestialidade por proeza; e nas suas aldeias pelo sertão há alguns que
têm tenda pública a quantos os querem como mulheres públicas.
[...]


Como os pais e as mães vêem os filhos com meneios para conhecer
mulher, êles lhas buscam, e os ensinam como a saberão servir; as fêmeas
muito meninas esperam o macho, mormente as que vivem entre os
portugueses. Os machos destes tupinambás não são ciosos; e ainda que
achem outrem com as mulheres, não matam a ninguém por isso, e
quando muito espancam as mulheres pelo caso. E as que querem bem
aos maridos, pelos contentarem, buscam-lhes moças com que eles se
desenfadem, as quais lhes levam à rede onde dormem, onde lhes pedem
muito que se queiram deitar com os maridos, e as peitam para isso; coisa
que não faz nenhuma nação de gente, senão estes bárbaros."
 Então, como se percebe é que as bases sociais que temos hoje em voga, têm-se como base histórica explicativa as bases sociais das "Tabas" (Aldeias Tupis) dáquela época. A Lascivia (que em determinado momento ajudou a demonizar o "Jardin do Éden" -O Brasil de Portugal) tida entre os habitantes das aldeias e a forma que eles lidavam com isso é bem descrita por Gabriel, quanto a questão dos gêneros de envolvimento com as variantes de parentesco e de idade.


Então, meus caros alunos e colegas virtuais, até a proxima matéria/artigo.

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