Sejam Muito Bem Vindos ao Mundo Desconhecido da Intectualidade

"A História é vital para a formação da cidadania porque nos mostra que para compreender o que está acontecendo no presente é preciso entender quais foram os caminhos percorridos pela sociedade." (Boris Fausto)
"A História é a geograficidade do tempo e a Geografia é a históricidade do espaço" (Yves Lacoste)

sexta-feira, 18 de março de 2011

Os constates ataques aos professores me leva a perguntar: "O palhaço, quem é?"

Bom, normalmente eu não traria para este blog uma discussão de cunho sócio-pedagógico, (não que eu não seja partidário desta corrente, mas não é o cunho trabalhista e o intuito da existência deste) no entanto, hoje, após o covarde e desnecessário ataque de um aluno contra uma professora, ocorrido no interior de São Paulo, eu venho refletir sobre o tema da Constante Violência que se têm nas Escolas. O Prof.º Naillor Marques Júnior trabalha belamente em seu poema-crônica e desabafo, chamado "O palhaço, quem é?", texto que, para nós, professores e alunos, é um Manifesto Psiquico-Escolar, de cunho moral e ético não só para a aplicação na sociedade escolar, mas sim, para toda a sociedade brasileira.
 - Leiam-o para que tenham ciencia do que ocorre e o quê aconteçe após isso. (A teoria da causa e consequência)

Diz uma história que numa cidade apareceu um circo, e que entre seus artistas havia um palhaço com o poder de divertir, sob medida, todas as pessoas da platéia e o riso era tão bom, tão profundo e natural que se tornou terapêutico.
Todos os que padeciam de tristezas agudas ou crônicas eram indicados pelo médico do lugar para que assistissem ao tal artista que possuía o dom de eliminar angústia.
Um dia um homem desconhecido, tomado de profunda depressão, procurou o doutor. O médico então, sem relutar, indicou o circo como o lugar de cura de todos os males daquela natureza, de abrandamento de todas as dores da alma, de iluminação de todos os cantos escuros do nosso jeito perdido de ser.
O homem nada disse, levantou-se, caminhou em direção à porta e quando já estava saindo, virou-se, olhou o médico nos olhos e sentenciou:
- “Não posso procurar o circo… aí está o meu problema: eu sou o palhaço”.

Como professor vejo que, às vezes, sou esse palhaço, alguém que trabalhou para construir os outros e não vê resultado muito claro daquilo que faz. Tenho a impressão que ensino no vazio (e sei que não estou só nesse sentimento) porque depois de formados meus ex-alunos parecem que se acostumam rapidamente com aquele mundo de Iniqüidades que combatíamos juntos.
Parece que quando meus meninos(as) caem no mercado de trabalho a única coisa que importa é quanto cada um vai lucrar, não importando quem vai pagar essa conta e nem se alguém vai ser lesado nesse processo. Aprenderam rindo, mas não querem passar o riso à frente e nem se comovem com o choro alheio. Digo isso, até em tom de desabafo, porque vejo que cada dia mais meus alunos se gabam de desonestidades.
Os que passam os outros para trás são heróis e os que protestam são otários, idiotas ou excluídos, é uma total inversão dos valores. Vejo que alguns professores partilham das mesmas idéias e as defendem em sala de aula e na sala de professores e se vangloriam disso.
Essa idéia vem me assustando cada vez mais, desde que repreendi, numa conversa com alunos, o comportamento do cantor Zeca Pagodinho, no episódio da guerra das cervejas e quase todos disseram que o cantor estava certo, tontos foram os que confiaram nele.
“O importante professor é que o cara embolsou milhões”, disse-me um; outro: “daqui a pouco ninguém lembra mais, no Brasil é assim, e ele vai continuar sendo o Zeca, só que um pouco mais rico”, todos se entreolharam e riram, só eu, bobo que sou, fiquei sem graça.
[..]
A pergunta é: É possível, pela lógica, que todo mundo ganhe? Para alguém ganhar é óbvio que alguém tem de perder.

A lógica é guardar o troco a mais recebido no caixa do supermercado;
é enrolar a aula fingindo que a matéria está sendo dada;
é fingir que a apostila está aberta na matéria dada, mas usá-la como apoio
enquanto se joga forca, batalha naval ou jogo da velha;
é cortar a fila do cinema ou da entrada do show;
é dizer que leu o livro, quando ficou só no resumo ou na conversa com quem leu;
é marcar só o gabarito na prova em branco, copiado do vizinho, alegando que fez as contas de cabeça;
é comprar na feira uma dúzia de quinze laranjas;
é bater num carro parado e sair rápido antes que alguém perceba;
é brigar para baixar o preço mínimo das refeições nos restaurantes universitários, para sobrar mais dinheiro para a cerveja da tarde;
é arrancar as páginas ou escrever nos livros das bibliotecas públicas;
é arrancar placas de trânsito e colocá-las de enfeite no quarto;
é trocar o voto por empregos, pares de sapato ou cestas básicas;
é fraudar propaganda política mostrando realizações que nunca foram feitas:
a lógica da perpetuação da burrice.

Quando um país perde, todo mundo perde. E não adianta pensar que logo bateremos no fundo do poço, porque o poço não tem fundo. Parafraseando Schopenhauer:
“Não há nada tão desgraçado na vida da gente que ainda não possa ficar pior”.
Se os desonestos brasileiros voassem, nós nunca veríamos o sol. Felizmente há os descontentes, os lutadores, os sonhadores, os que querem manter o sol aceso, brilhando e no alto. A luz é e sempre foi a metáfora da inteligência. No entanto, de nada adianta o conhecimento sem o caráter. Que nas escolas seja tão importante ensinar Literatura, Matemática ou História quanto decência, senso de coletividade, coleguismo e respeito por si e pelos outros.

Acho que o mundo (e, sobretudo, o Brasil) precisa mais de gente honesta do que de literatos, historiadores ou matemáticos. Ou o Brasil encontra e defende esses valores e abomina Zecas, Gérsons, Dirceus, Dudas, Rorizes, todos os que chamam desonestidades flagrantes, de espertezas técnicas, ou o Brasil passa de país do futuro para país do só furo.

De um Presidente da República espera-se mais do que choro e condecoração a garis honestos, espera-se honestidade em forma de trabalho e transparência. De professores, espera-se mais que discurso de bons modos, espera-se que mereçam o salário que ganham (pouco ou muito) agindo como quem é honesto.

A honestidade não precisa de propaganda, nem de homenagens, precisa de exemplos.
Quem plantar joio, jamais colherá trigo. Quando reflexões assim são feitas cada um de nós se sente o palhaço perdido no palco das ilusões. A gente se sente vendendo o que não pode viver, não porque não mereça, mas porque não há ambiente para isso. Quando seria de se esperar uma vaia coletiva pelo tombo, pelo golpe dado na decência, na coerência, na credibilidade, no senso de respeito, vemos a população em coro delirante gritando “bis” e, como todos sabemos, um bis não se despreza.

Então, "uma pirueta, duas piruetas, bravo ! bravo !" E vamos todos rindo e afinando o coro do “se eu livrar a minha cara o resto que se dane”.
Enquanto isso o Brasil de irmã Dulce, de Manuel Bandeira, do Betinho, de Clarice Lispector, de Chiquinha Gonzaga e de muitos outros heróis anônimos que diminuíram a dor desse país com a sua obra, levanta-se, caminha em silêncio até a porta, vira-se e diz:
- “Aí está o meu problema: eu sou o palhaço”.
Retomando os meus pensamentos e a minha fala neste blog, deicho a vocês, Leitores, a seguinte mensagem: "A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade".

Eu digo e repito, que enquanto eu puder sentir, continuarei escrevendo, continuarei ministrando as minhas aulas, vivendo esse "sonho"  (utópico) que é o (bom) magistério.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Os Primeiros crônistas da América Portuguesa

Para começar, inicío abrindo as portas do conhecimento acerca do Brasil/Brazil Colonial, com o "Tratado Descritivo do Brasil em 1581", o qual é uma obra escrita por Gabriel Soares de Sousa, datada de 1587, que constituiu um dos primeiros e mais extraordinários relatos sobre o Brasil colonial. Contém importantes dados geográficos, (para nós agora) históricos, antropológicos, etnográficos e linguísticos.
Mas, quem foi este autor? - Gabriel Soares de Sousa nasceu em Portugal, na década de 1540. Foi agricultor e empresário. Veio para o Brasil entre os anos de 1565 e 1569. Na Bahia, estabeleceu-se como colono agrícola; e veio a falecer no final de 1591, perto das cabeceiras do rio Paraguaçu.
 Para melhor entender o contexto, a estrutura e a conjuntura social, tanto indigena/nativo quanto européia portuguesa, este trecho (abaixo) da obra de Gabriel de Souza é perfeito; pois é passível da melhor construção do entendimento da atual sociedade pela sociedade Tupi dàquela época.
Então, faça um favor ao seu cérebro e ao seu intelecto e leia o texto abaixo.

"São os tupinambás tão luxuriosos que não há pecado de luxúria que
não cometam; os quais sendo de muito pouca idade têm conta com
mulheres, e bem mulheres; porque as velhas, já desestimadas dos que
são homens, granjeiam estes meninos, fazendo-lhes mimos e regalos, e
ensinam-lhes a fazer o que eles não sabem, e não os deixam de dia, nem
de noite. É este gentio tão luxurioso que poucas vezes têm respeito às
irmãs e tias, e porque este pecado é contra seus costumes, dormem com
elas pelos matos, e alguns com suas próprias filhas; e não se contentam
com uma mulher, mas têm muitas, como já fica dito pelo que morrem
muitos de esfalfados. E em conversação não sabem falar senão nestas
sujidades, que cometem cada hora; os quais são tão amigos da carne que
se não contentam, para seguirem seus apetites, com o membro genital
como a natureza formou; mas há muitos que lhe costumam pôr o pêlo de
um bicho tão peçonhento, que lho faz logo inchar, com o que têm
grandes dores, mais de seis meses, que se lhe vão gastando espaço de
tempo; com o que se lhes faz o seu cano tão disforme de grosso, que os
não podem as mulheres esperar, nem sofrer; e não contentes estes
selvagens de andarem tão encarniçados neste pecado, naturalmente
cometido, são muito afeiçoados ao pecado nefando, entre os quais se não
têm por afronta; e o que se serve de macho, se tem por valente, e contam
esta bestialidade por proeza; e nas suas aldeias pelo sertão há alguns que
têm tenda pública a quantos os querem como mulheres públicas.
[...]


Como os pais e as mães vêem os filhos com meneios para conhecer
mulher, êles lhas buscam, e os ensinam como a saberão servir; as fêmeas
muito meninas esperam o macho, mormente as que vivem entre os
portugueses. Os machos destes tupinambás não são ciosos; e ainda que
achem outrem com as mulheres, não matam a ninguém por isso, e
quando muito espancam as mulheres pelo caso. E as que querem bem
aos maridos, pelos contentarem, buscam-lhes moças com que eles se
desenfadem, as quais lhes levam à rede onde dormem, onde lhes pedem
muito que se queiram deitar com os maridos, e as peitam para isso; coisa
que não faz nenhuma nação de gente, senão estes bárbaros."
 Então, como se percebe é que as bases sociais que temos hoje em voga, têm-se como base histórica explicativa as bases sociais das "Tabas" (Aldeias Tupis) dáquela época. A Lascivia (que em determinado momento ajudou a demonizar o "Jardin do Éden" -O Brasil de Portugal) tida entre os habitantes das aldeias e a forma que eles lidavam com isso é bem descrita por Gabriel, quanto a questão dos gêneros de envolvimento com as variantes de parentesco e de idade.


Então, meus caros alunos e colegas virtuais, até a proxima matéria/artigo.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A necessidade da Interdisciplinaridade para o novo Vestibular

- Então, o que se percebe é que as duas disciplinas (básicas do campo das Ciências Humanas e Sociais) são de entedimentos inerentes; e agora, para o bom desempenho na preparação para o ENEM, é preciso que o Professor tenha o conhecimento interdisciplinar; que tenha a capacidade de pensar e repensar o pensamento científico do outro. Eu venho estudando há quase dois anos e meio, as disciplinas sociais em geral (História, Sociologia, Geografia, Literatura Histórica e Filosofia) para dar mais fundamentação às minhas aulas e aos meus alunos, para que todos tenham maior oportunidade de ter acesso às Universidades.

Link para o meu perfil no Orkut

Perfil profissional do Prof.º Pablo Soberay.
Belém - Pará, Amazônida do Brasil.

Sou acima (e antes) de tudo um ser muito Pensante e extremamente Politizado.

Perfil Profissional:

Graduando em Lic. e Bacharelado em História, pela Sociedade Civil Integrada ESMAC - Escola Superior Madre Celeste - e em Lic. em Geografia, pelo IFPA - Instituto Federal do Pará. Pesquisador de orgãos públicos (UFPA e IFPA) e particulares; Professor da rede pública municipal e da rede particular de ensino.

Qualificações Curriculares e Cursos de Extenção:

(Qualificação de Professores do Ensino Médio em) Sociologia Aplicada
Local: Fundação Getulio Vargas – FGV (Módulo EaD – Ensino a Distância)
Período: Dezembro de 2010 / (Andamento)
Carga Horária: 60 Horas

(Qualificação de Professores do Ensino Médio em) Filosofia Aplicada
Local: Fundação Getulio Vargas – FGV (Módulo EaD – Ensino a Distância)
Período: Janeiro de 2011 / (Andamento)
Carga Horária: 60 Horas



Esses pensamentos serão atualizados diariamente ou semanalmente, tudo conforme minha vontade, é claro.

"A História é vital para a formação da cidadania porque nos mostra que para compreender o que está acontecendo no presente é preciso entender quais foram os caminhos percorridos pela sociedade." (Boris Fausto)